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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

FERMENTAÇÃO MALOLÁTICA (FML)


 A Fermentação Malolática é uma desacidificação biológica que consiste na degradação em anaerobiose (ausência de oxigênio), por bactérias lácticas, do ácido málico do vinho em ácido láctico, com a libertação de dióxido de carbono.
condições adequadas, entre 15 e 18ºC, o que evita a acidez volátil e a evaporação do vinho, e presença de borra, pois é nesta que se encontra naturalmente uma boa população de bactérias lácticas.
 Após a fermentação alcoólica, a fermentação malolática ocorre espontaneamente pelas bactérias láticas que convertem o ácido málico que possui caráter, mais ácido em ácido lático que é caracterizado como mais macio. Faz-se o acompanhamento do andamento desta fermentação em laboratório ocorria através de cromatografia de papel. Quando não há presença do ácido málico caracterizada por mancha intermediária no papel Whatman® nº1, e percebe-se o ácido concentrado na malha superior do papel, considera-se concluída.


 Figura 1. Resultado de análise de cromatografia de papel 

domingo, 30 de agosto de 2015

O Vinho e a Música

A combinação do vinho e a música vem de muito tempo atrás, desde a época dos deuses Dionísio e Baco, que aguçavam e ainda hoje aguça os sentimentos e sentidos que acalma, acalenta, apaixona e aproxima as pessoas. 


A música também ela traz benefícios desde o campo como na redução de ataques de insetos e parasitas e na estimulação da produção de polifenóis. Segundo um estudo realizado pelo Professor da Universidade de Florença Stefano Mancuso, que pesquisa sobre a inteligência das plantas, onde ele descobriu que a música estimula a produção de polifenóis, compostos esses encontrados em diversas formas, presentes na polpa, casca, sementes e engaço da uva. Essa união da música e produção das uvas, é um processo chamado de fonobiológico, onde resulta em um vinho de gosto agradável e com característica benéficas.

Pesquisas realizadas constataram que existe uma harmonização entre o vinho e a música, pois a mesma afeta o comportamento do ser humano, onde há uma ligação do aspecto psicológico da música e a percepção do vinho, através das ondas sonoras que estimulam áreas particulares do cérebro assim como o vinho.

Com isso a música faz com que os vinhos tenham um melhor sabor e outros piores, pois deve-se ter uma harmonização, um casamento entre o vinho de acordo com seu tipo e suas características. Um dos estudos feitos, concluíram que no momento da degustação a música influenciará na percepção do sabor, onde temos indicações de que músicas, quando sendo mais pesadas e forte combinará com vinhos robustos como os Cabernet e em músicas mais agitadas, harmonizariam com a delicadeza e refrescância dos vinhos Chardonnay.


Contudo temos uma perfeita harmonização do Vinho com a Música, sendo ela desde a produção da uva até o momento da degustação do vinho, que nos remete as lembranças de bons momentos e consolida os sentimentos afetivos pelas emoções que ambos proporcionam.



sexta-feira, 17 de julho de 2015

MOSTRANDO COM QUANTAS ADUELAS SE FAZ UMA BARRICA

CONSTRUINDO UMA MINE BARRICA DE UMBURANA-DE-CAMBÃO
Há um ditado popular que diz “vou te mostrar com quantos paus se faz uma canoa” se tratando de uma barrica, ficaria bem assim: “vou te mostrar quantas aduelas se faz uma barrica”.
É bem simples mostrar com quantas aduelas se faz uma barrica, difícil é montá-la do início ao fim, mas vamos tentar né.
Para saber o número de aduelas necessário para construção de uma barrica é necessário saber qual o seu volume desejado. Sendo assim, poderá se proceder a quantidade e o tamanho.
A ideia de construir uma barrica surgiu de um desafio lançado em sala de aula pela professora Jocemara Ariana, segundo ela, quem conseguisse confeccionar uma Mini Barrica estaria isento da 2° avaliação de sua disciplina. Desafio aceito! Iniciamos então uma pesquisa literária sobre tanoaria, para assim sabermos mais sobre os materiais e passos a seguir, fizemos um esboço do modelo do qual gostaríamos de obter no final.
MATERIAIS NECESSÁRIOS
  • Madeira de imburana de cambão;
  • Lixadeira;
  • Chapa de alumínio ou similar para construção dos arcos;
  • Furadeira;
  • Torneira pequena;
  • Esquadro, régua ou trena;
  • Cola de madeira;
  • Lápis;
  • Elástico ou liga.
APARELHAGEM DA MADEIRA
Depois da busca pela a madeira desejada, neste caso a umburana-de-cambão, esta deve está seca para que se proceda a sua aparelhagem, que consiste em uma série de operações para transformam a madeira em aduela. Usa-se uma aduela para servir de medida à todas as outras, esta será designada de talha.
A umburana ou imburana-de-cambão (Commiphora leptophloeos) é uma arvore de 6 a 9 metros de altura, nativa da caatinga, que Possui potencial artesanal, medicinal, melífero e valor madeireiro elevado e diversificado, sendo utilizada na marcenaria, construção civil, estacas, caixotaria, tábuas, portas, janelas, esquadrias, móveis e artesanato.

Torneamento da aduela
Operação que consiste em dá a aduela um formato mais arredondado, devendo torneá-la lateralmente e do lado exterior. Esta etapa exige certa delicadeza para que haja bons ajustes entres todas as aduelas da barrica.

Preparação do fundo
O fundo é constituído por aduelas que passam por diversos processos até adquirem o formato desejado, porém para obtenção desta barrica o fundo foi confeccionado diretamente no formato de círculo. A sua extremidade foi trabalhada no formato de cunha para melhor encaixe nas aduelas.
O orifício para encaixe da torneira de saída de líquidos deve ser perfurado antes da montagem da barrica.


Juntar

As aduelas são juntas para serem polidas e verificar possíveis empenos, isto garantirá uma perfeita junção entre as aduelas e evitará possíveis folgas.
PAREANDO A MADEIRA E ARMANDO A BARRICA
Parear a madeira consiste na operação de saber o número de aduelas necessárias para construção de uma barrica, que consequentemente irá variar de acordo a capacidade desejada. Para construção desta barrica foi medido o raio do fundo, multiplicado por 3,14 para obter o diâmetro. Então foram construídas 14 aduelas com 4,5 cm de largura e 35,4 de cumprimento, o fundo ficou com um perímetro de 61,23 cm.
Armando a barrica
Etapa que consiste em colocar as aduelas em pé, estas devem ser encaixadas delicadamente uma a uma no fundo, usando uma liga para facilitar no trabalho. A primeira aduela a ser colocada deve ser a que foi ou será aberta o batoque (orifício de entra de líquidos).
Em seguida pode-se proceder com a colocação dos arcos, que podem variar em número de acordo com o tamanho da vasilha. O material usado para confecção dos arcos foi alumínio proveniente de chapas de construção civil, sendo empregados dois arcos, um em cada extremidade. Estes devem ter dimensões de acordo com o tamanho do recipiente a ser confeccionado.
São os arcos que são responsáveis por apertar a vasilha de madeira, deixando as aduelas bem vedadas, sendo ideal que sejam clavados com cravos ou rebites.
Construção do baixete
O baixete nada mais é do que o suporte de apoio, confeccionado de acordo com as dimensões da barrica. As partes superiores dos pés devem ser trabalhadas de acordo com a anatomia do corpo da vasilha, ligadas uma a outra através de um pedaço de madeira, usando cola especialmente para este fim.

Acabamentos

Após a montagem da barrica procede-se aos acabamentos finais, que objetivam deixa-la esteticamente mais atrativa. Toda a barrica passa por uma lixagem desde seu corpo até as extremidades das aduelas.
Adiciona-se água quente e gira o recipiente fazendo este entrar em contato com o líquido para que assim a madeira inche e passe a estancar a água e posteriormente as bebidas a serem armazenadas, este processo é designado de suadouro.
Caso não consiga a capacidade de estancar líquido da barrica, pode-se partir para opção de adicionar parafina derretida, quando esta atingir 80°C segue-se os mesmo procedimentos usados para água quente, porém tem o inconveniente do não contato direto da bebida com a madeira. Se houver o intumescimento da madeira com água quente garantir sua estanquicidade não há necessidade de parafinar.
Pode ainda, utilizar solução de ácido tartárico com água para estancar o recipiente, com a qual se banha as barricas que depois de secas adquirem uma espécie de vidrado.
Resultado
O resultado saiu melhor que a encomenda, uma pequena barrica de formato cilíndrico capacidade de 7 litros, que poderá ser usada para envelhecer destilados ou como ornamentação

sábado, 23 de maio de 2015

Enoturismo no Vale do São Francisco

Vinícola Santa Maria (Rio Sol)

O Vale do São Francisco vem destacando-se pelo cultivo de uva e vinhos de qualidade, despertando interesse de inúmeros visitantes apaixonados por vinhos e que querem conhecer melhor a região, que diferente do sul do país, consegue produzir uvas durante todo o ano através do controle do ciclo fenológico da videira, tudo isto é permitido graças ao clima e a irrigação. A vinícola Santa Maria, localizada no município de Lagoa Grande-PE, é uma ótima opção para quem quer conhecer de perto o processo de elaboração de vinhos.
Alguns setores apresentados durante o passeio são:
Recepção

A Vinícola Rio Sol recebe seus visitantes com a impressionante paisagem que reuni a videira ao lado esquerdo de quem chega, com uma trilha de mandacaru e coroa de frade, plantas típicas da caatinga. Do lado direito, pode-se observar uma trilha de coqueiro, é como dizia Pero Vaz de Caminha “aqui, nesta terra, em se plantando tudo dá”.
Começou suas atividades comerciais baseadas na elaboração de álcool, vinagre e vinhos comuns, sendo assim até o ano de 2002. A partir de então, um grupo português passou a gerir suas atividades, implantando novas variedades de uvas e continuamente pesquisando o máximo de variedades possíveis de outras regiões. São mais de 150 hectares em produção. Atualmente a empresa está voltada para elaboração de vinhos finos de qualidade e atividades enoturísticas.
Eldo, um dos responsáveis pela recepção do Enoturismo da vinícola fala da possibilidade de controlar o ciclo fenológico da vinha, tendo ainda, o escalonamento por lote, que permite a colheita a cada 15 dias, dando um repouso de 45 a 60 dias para a planta se recuperar do ciclo produtivo, ou seja, uva o ano todo.
Cantina
            Na cantina, local cercado por videiras que somente vegetam, não produzindo frutos, deixa o ambiente naturalmente mais fresco e protegido da ação direta da luz solar. Estão dispostos os tanques de fermentação de volume diversos e controle automático de temperatura.
            Valdemir Guimarães, que também trabalha no enoturismo, faz uma breve explanação do processo de elaboração de vinho e espumante, e amadurecimento dos vinhos. A fermentação alcoólica ocorre por volta de 7 dias sob temperatura de 23 a 27°C, em seguida, o mosto é prensado em prensa pneumática dando origem a  dois tipos de vinhos, o vinho prensa, obtido através da ação mecânica da prensa, e o vinho gota,  àquele que escorre naturalmente sem ação mecânica. Ambos não são misturados, suas fermentações continuaram em tanques diferentes. A parte sólida, cascas e sementes, são utilizadas como adubo orgânico para própria videira.
            Geralmente os vinhos tintos passam por uma segunda fermentação, a malolática, que objetiva a conversão por bactérias láticas do ácido málico em ácido lático, tornando os vinhos menos ácidos e mais redondos. Após esta fermentação os vinhos serão estabilizados, tendo umas três trasfegas durante este período, filtrados, analisados química e sensorialmente antes de se tomar a decisão se passará por barrica ou  se será um vinho para ser consumido jovem. Valdemir enfatiza que o segredo da qualidade do vinho está no controle de temperatura, nos cuidados com a higiene de equipamentos e processos e, nos atestos. Sendo que temperatura varia de acordo com o vinho branco, rosé, ou tinto e a fase de vinificação, sendo que no final desta, suas temperaturas devem ser reduzidas, impedindo a contaminação e facilitando a precipitação de compostos instáveis presentes no vinho.
            É importante lembrar que o controle de maturação da uva no campo permite um maior controle dos parâmetros químicos desejados ao vinho, sendo as uvas tintas colhidas um pouco mais tardias que as brancas, já que necessitam de uma maturação adequada dos compostos fenólicos da semente e da película e os vinhos brancos são desejáveis uma maior acidez e frescor, então são ideais que sejam colhidas antes que ocorra a diluição dos ácidos orgânicos que também são utilizados para síntese de açucares, o que levaria a vinhos altamente alcoólicos e de baixa acidez.
Sala de barricas
            Possuem barricas de carvalho francês e americano, que somente passam os vinhos reservas como o top de linha Paralelo 8 Premium e também Vinhas Maria. O tempo de vida das suas barricas varia de 3 a 4 anos.
            A linha Rio Sol simboliza a região, rio representa o Rio São Francisco; sol representa sol o ano inteiro. A letra “o” das duas palavras formam um 8, que representa a localização da vinícola, latitude 8° Sul.
Espumantes
            Os espumantes são obtidos pelo uma segunda fermentação a partir do vinho base, pelo método Charmat, esta segunda fermentação ocorre em tanques especiais chamados autoclaves em temperatura em torno dos 17°C. Deve-se sempre observar a pressão durante o processo, aliviando-o quando chegar a 6 atm. Outro método de elaboração de espumante utilizado pala empresa é o Asti, que é caracterizado por uma única fermentação, no final tem-se um produto doce e baixo teor alcoólico, são os famosos moscatéis.
            A estabilização dos espumantes ocorre -4°C, seu envase também acontece em temperatura negativa.
Degustação/Vendas
            Depois de conhecer as etapas para obtenção dos vinhos e espumantes da vinícola, o visitante pode conhecer alguns dos seus rótulos e levar para casa, caso esteja disposto a pagar pelos preços que se encontram razoavelmente aceitáveis. Tudo isto em uma sala aconchegante com uma mesa grande do no lado de fora, que convida a quem chega estreitar laços com um brinde coletivo.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Amadurecimento X Envelhecimento


Conhecendo alguns conceitos




Frequentemente os termos Amadurecimento e Envelhecimento conduzem os que inicialmente estão a entrar no mundo do vinho a equivoco, veremos que são bem diferentes um do outro. E ainda tem aquele velho clichê que diz que quanto mais velho, melhor o vinho. Sinto muito em dizer, mais nem sempre e muito menos nem todo vinho quanto mais tempo passar em garrafa irá ficar melhor.
Se você está pretendendo guardar um vinho jovem para apreciá-lo no seu apogeu, deve está atendo a alguns detalhes importantes com os compostos fenólicos, o álcool, o açúcar, acidez, os precursores aromáticos, extrato sólido, devendo estes estar em quantidades superiores, sendo, portanto vinhos duros, adstringentes, ácidos e difíceis de serem bebidos. Quando guardados em ambientes apropriados, tratados como uma criança que repousa durante o sono, com ausência de luz e de vibrações na adega ou local onde está mantido. O tamanho da garrafa também influencia, as garrafas maiores poderão guardar por mais tempo, a temperatura deve ser mantida em torno de 10°C a 16°C.
Achei muito interessante a comparação que Mario Telles, editor e diretor da Wine Style fez, ele disse que os vinhos são semelhantes a animais. Alguns são como a libélula, são leves e destinados a ter vida intensa e fugaz. Outros são como os elefantes, potentes, capazes de grandes esforços e muito longevos, porém, rústicos, sem muita elegância. E os cavalos de raça, que foram comparados aos verdadeiros vinhos de guarda, combinam elegância e força.

O que acontece dentro da garrafa?

Antes do engarrafamento, uma filtragem excessiva pode ocasionar na perca de alguns compostos fenólicos, diminuindo a capacidade de envelhecimento. O vinho deve ser envelhecido lentamente em ambiente adequado, sem vibrações, mudanças bruscas de temperatura e incidência direta de luz.
         Bem, dentro da garrafa há um espaço vazio entre a rolha e o vinho, neste espaço há oxigênio. Os taninos e antocianinas estão inicialmente dissolvidos no vinho jovem. Com o passar do tempo, inicia-se a polimerização, ou seja, juntam-se em grandes cadeias de moléculas. Este agrupamento é ocasionado parte pelos componentes do vinho, parte pela presença de oxigênio na garrafa.
         As reações químicas ocorridas na garrafa auxiliam na melhoria das características organolépticas do vinho. Sendo óbvio, que para isso o vinho tenha a estrutura citada no início do texto.

Amadurecimento

         O amadurecimento dá-se pelo contato com oxigênio e se segue durante processamento de fermentação alcoólica, inclusive a fermentação malolática, a guarda em barricas de madeira e os processos de filtração e de clarificação do vinho. Essa fase permite ao vinho absorve pequena quantidade de oxigênio e só é quantitativamente relevante no caso de alguns vinhos fortificados.

Envelhecimento

         O envelhecimento ocorre após o engarrafamento, sendo por isso chamada de envelhecimento redutivo; e transcorre sempre na ausência quase total de oxigênio.